sexta-feira, 11 de agosto de 2017

De novo, por fim, Edimburgo e o seu Festival


Talvez seja uma despedida, talvez não - o vôo directo agora é uma tentação, para um Festival que não é tão caro como outros (Salzburgo, Lucerne, Glyndenbourne) mas decorre numa cidade única, mágica, e costuma ter uma boa programação, com visita de grandes orquestras. Este ano só terei oportunidade de ver o Orfeo de Monteverdi dirigido por Gardiner com o Monteverdi Choir (que depois vai para Salzburgo), e mais umas coisitas ligeiras do Fringe que poderão ser engraçadas.

Um trailer do Orfeo de Gardiner no La Fenice:



Se o tempo o permitir, não queria perder as famosas Rosslyn Chapel e Melrose Abbey, que nunca cheguei a visitar.

Capela de Rosslyn
Interior

Rever as obras primas da National Gallery é um must: Boticelli, Cézanne, Corot, Degas, Gauguin, Manet, Monet, Seurat, Titiano, Van Gogh, Velasquez, Vermeer, Veronese... não falta lá ninguém. Na secção de Arte Moderna, também há Mondrian, Picasso, Lichtenstein...

Oliveiras, por Van Gogh, na National Gallery of Scotland

Até custa a acreditar que obras belíssimas como estas estão em Edimburgo !

Christ in the House of Martha and Mary, de Vermeer. Como ele retratava bem as mulheres ! O Cristo nem tanto...

Picasso, Mère et Enfant. Um esboço, duas cores, tanta beleza.


E por fim um pôr do sol inevitável em Calton Hill...

A 'Acrópole' de Edimburgo.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Ainda não vi o 'Dunkirk', mas do que ouvi já gosto


Tudo me indica que Dunkirk de Christopher Nolan é um filme a não perder; ainda não arranjei tempo para ir ver, mas já ouvi esta fabulosa Variação 15 da banda sonora de Hans Zimmer, que até me dá arrepios. É um trabalho sobre a famosa Nimrod de Edward Elgar, que integra as Variações Enigma.



Um remake conseguido, mas nada poderá substituir o original, uma obra prima total que eu levaria para a ilha deserta, sem qualquer hesitação; aqui fica pelo grande Colin Davis:





domingo, 6 de agosto de 2017

ponientes



' O ponientes, o tigres, o fulgores ' 
 ...

' Perscruto, ao longe, as sombras do sol-pôr...
 Chora o silêncio... nada...ninguém vem...'



«Un jour, j'ai vu le soleil se coucher quarante-trois fois!»
Et un peu plus tard tu ajoutais:
«Tu sais... quand on est tellement triste on aime les couchers de soleil...
- Le jour des quarante-trois fois tu étais donc tellement triste?
Mais le petit prince ne répondit pas.”

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Versos e texto de J L Borges, Florbela Espanca e Antoine de Saint-Exupéry

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Primeiro post de Agosto : flores do mar


Começou a época de praia com algumas nuvens:

Este ano os 'jardins' de vegetação dunar estão bem viçosos.



Depois desanuviou com a nortada, que nem é muito forte - ainda bem: já se pode sair em passeio com o sol a baixar.


Canaviais e jardins na duna, e flores de algas na orla da praia, com as cores a brilhar ao sol-pôr: uma festa vegetal.




A hora de sair a ver as ondas quebrar, as andorinhas a voar para os ninhos na parede, ir a procurar conchinhas e fazer fotografias, é sempre esta, mágica:

Não parece o monstro de Loch Ness ?


E a esplanada favorita também é esta, protegida da nortada:


Mas o rei e senhor destas paragens é o mar, claro.


Um bom mês de Agosto!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A Inacção dos Sapatos, por Ron Padgett


Verão, Silly Season, poesia silly.
Mas silly no bom sentido: ligeira, saudavelmente amalucada. Neste caso, a fazer-me reviver 'coisas' que já senti. Aquela pulsão para intervir, ser activo, não parar o tempo todo sempre a querer agir, desagua ao fim do dia, sei-o agora bem, no cansaço de nada se ter feito que afinal valesse o esforço.


Ron Padgett, The inaction of Shoes

There are many things to be done today
and it's a lovely day to do them in

Each thing a joy to do
and a joy to have done

I can tell because of the calm I feel
when I think about doing them

I can almost hear them say to me
Thank you for doing us

And when evening comes
I'll remove my shoes and place them on the floor

And think how good they look
sitting?... standing?... there

Not doing anything.



Traduzo, porque não -

          A inacção dos sapatos

          Tenho  muitas coisas para fazer hoje
          E está um dia lindo para as fazer

          Fazer cada coisa é uma alegria
          E é uma alegria tê-la feito

          Digo isto pela calma que sinto
          Quando me lembro de as fazer

          Posso quase ouvi-las dizer
          Gratas por nos ter feito

          E quando a tarde chega ao fim
          Tiro os sapatos e deixo-os no chão

          E penso que bom aspecto eles têm
          Sentados ?... Deitados ?... ali

          Sem fazer nada.